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Seção Sindical dos Docentes da UFV
Assassinatos no campo e registros de trabalho escravo rural crescem em 2025, no Brasil

Dobrou o número de assassinatos no campo brasileiro em 2025 na comparação com o ano anterior: 26 ante 13. O dado é da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e consta no relatório Conflitos no Campo Brasil 2025, lançado nessa segunda-feira (27), em Brasília (DF). 

A publicação registra dois massacres no ano passado, um no Pará e outro em Rondônia. O CPT considera massacre quando há mais de três mortes em uma mesma ocasião, localidade e espaço de tempo, em ataques concentrados de forças públicas ou privadas. Outro dado que chama a atenção diz respeito à participação de fazendeiros como os principais agentes envolvidos nos assassinatos: responderam por 20 dos 26 registrados, o que equivale a 77% dos casos. 

O levantamento também aponta que 1.991 pessoas foram resgatadas do trabalho escravo rural em 2025, o que representa um aumento de 5% quando comparado ao ano anterior. A Campanha Permanente da CPT De Olho Aberto para não Virar Escravo registrou, ainda,pessoa 1.007 pessoas resgatadas em 122 casos de trabalho escravo urbano, em forte crescimento de 60% frente a 2024. 

Um dos casos mais emblemáticos ocorreu na construção de uma usina de etanol no município de Porto Alegre do Norte (MT), onde 586 trabalhadores foram resgatados. Aliciados nas regiões Norte e Nordeste do país, os resgatados dormiam em quartos precários e superlotados, sofriam com a ausência frequente de água e energia, além da má alimentação. A ação foi deflagrada após um incêndio no local, que atingiu o principal alojamento. Além desse caso, houve, também no Mato Grosso, o resgate de 20 pessoas em uma fazenda de corte e empilhamento de madeira.

Entre as atividades econômicas com mais trabalhadores resgatados, estão construção de usina (586), lavouras (479), mineração (170) e pecuária (154). Trata-se de setores que historicamente concentram mais casos de trabalho escravo, com destaque recorrente para as lavouras e a pecuária.

Queda nos registros de conflitos no campo

Apesar do aumento dos assassinatos e dos resgates de trabalho escravo, o relatório dá conta de uma queda no registro geral das ocorrências de conflitos no campo:de 2.207, em 2024 ,para 1.593, no ano passado. Também houve uma diminuição no número de vítimas: de 1.181 para 581 indivíduos.

A respeito das ocorrências de violências, também houve diminuição: em 2024, foram notificados 1.548 casos e, no ano passado, 978, o que representa um recuo de  aproximadamente 37%. Contudo o relatório denuncia o aumento nos registros de prisões (de 71 para 111), de casos de humilhação (de 5 para 142) e de cárcere privado (de 1 para 105). 

“A alta dos casos de humilhação e cárcere, por exemplo, se dão pela ação arbitrária da polícia militar do estado de Rondônia, que em novembro de 2025, no contexto da operação Godos, interrompeu uma reunião pública com cerca de 100 famílias sem-terra, despejadas de seus acampamentos, e servidores do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar)”, explicou o documentalista do Centro de Documentação Dom Tomás Balduino (Cedoc/CPT), Gustavo Arruda.

Arruda ainda acrescentou que “o aumento dos casos de prisões também se dá por conta de ações pontuais da força do Estado sob comunidades: neste caso, é reflexo da polícia do estado da Bahia, que prendeu cerca de 24 povos originários da TI (Terra Indígena) Barra Velha; e da polícia militar de Rondônia, que, também no ano passado, realizou diversas operações de perseguição a integrantes da Liga dos Camponeses Pobres (LCP)”.

Conflitos no Campo Brasil

Elaborado anualmente pela CPT desde 1985, com a primeira publicação em 1986, o relatório Conflitos no Campo Brasil é uma fonte de pesquisa para universidades, veículos de mídia, agências governamentais e não-governamentais. O relatório é construído, principalmente, a partir do trabalho de agentes pastorais da CPT, nas equipes regionais que atuam em comunidades rurais por todo o país, além da apuração de denúncias, documentos e notícias, feita pela equipe de documentalistas do Centro de Documentação Dom Tomás Balduino (Cedoc-CPT) ao longo do ano.

(Assessoria de Comunicação do ANDES-SN com edições da ASPUV)

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