Aspuv

Seção Sindical dos Docentes da UFV
ANDES-SN cobra cumprimento de acordo de greve e alerta sobre a reforma administrativa em audiência na Câmara

O ANDES-SN, junto com outras entidades da educação federal, participou de uma audiência pública realizada nessa quinta-feira (11), pela Comissão de Administração e Serviço Público (Casp) da Câmara dos Deputados. O debate teve como foco a avaliação do cumprimento do acordo da greve de 2024. Durante a atividade, o sindicato nacional denunciou o descumprimento de pontos pactuados pelo governo federal e reforçou o alerta sobre os riscos da reforma administrativa. 

Representando o ANDES-SN, Diego Marques agradeceu à deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) pela iniciativa e expôs as preocupações da categoria. A ausência dos representantes do governo foi classificada por Marques como “indignante, mas não surpreendente”, refletindo a postura do Executivo desde o fim da greve. Apesar de convidados, os ministros da educação, Camilo Santana; da gestão e inovação, Esther Dweck; e da Casa Civil, Rui Costa não compareceram.

O diretor do sindicato nacional lembrou que, mais de um ano após a assinatura do termo, diversos pontos seguem sem implementação. Entre eles, estão a construção de um marco regulatório para a carreira do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT), que segue parado na Casa Civil; a alteração do Decreto nº 1590/1995, que trata do controle de frequência dos docentes EBTT; o reenquadramento de aposentados e a regulamentação da “entrada lateral”, estes dois sem qualquer avanço.

Marques denunciou ainda um “grande jogo de empurra” entre os ministérios: “Fizemos aquilo que tínhamos que fazer, mobilizamos nossas categorias, demonstramos total disponibilidade ao diálogo, chegamos a bom termo e agora nós exigimos apenas aquilo que nos é de direito, que é que os termos de um acordo pactuado há um ano e três meses sejam efetivamente cumpridos”, disse Diego Marques.

Reforma Administrativa e reajuste

Na audiência, o diretor do ANDES-SN também fez um alerta sobre a reforma administrativa. Ele pontuou que um Grupo de Trabalho (GT) constituído na própria Comissão discute a possibilidade de mudar um aspecto central do serviço público brasileiro: a progressão por carreira. Para Marques, a proposta levantada, de ingresso por posição ou função, poderia generalizar contratos precarizados e bloquear a progressão das servidoras e dos servidores, violando conquistas históricas da categoria. 

Outra preocupação é a incerteza sobre a parcela de reajuste salarial negociada para o próximo ano. Com a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) prevendo uma evolução de despesas de, no máximo, 4% em um cenário de inflação projetada em 4,5%, não há garantias de que os reajustes para as categorias serão cumpridos.

Diego Marques concluiu a sua participação ligando a defesa dos servidores públicos à defesa da democracia e dos direitos da população brasileira. “Quem ataca as servidoras e os servidores públicos, ataca os direitos do conjunto da população brasileira. E quem ataca os direitos do conjunto da população brasileira, desqualifica nossa democracia e, portanto, ataca nossa democracia”, disse o docente que reafirmou o compromisso do ANDES-SN em seguir a luta pelo cumprimento do acordo de greve e em defesa dos serviços públicos e dos direitos da população.

Confira também:

– Cinco pontos críticos da reforma administrativa: arrocho salarial, precarização e mais

–  Reforma administrativa: é mentira que a proposta do Congresso não vai atingir os atuais servidores

– Reforma administrativa: modernizar ou abrir as portas para o setor privado?

– Rádio ASPUV #10/25 | Reforma Administrativa

–  Cinco mentiras sobre a reforma administrativa

(Assessoria de Comunicação do ANDES-SN com edições da ASPUV)

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos necessários são marcados com *.