ANDES-SN lamenta falecimento de Amelinha Teles, símbolo da resistência à ditadura empresarial-militar
A Diretoria do ANDES-SN manifesta profundo pesar pelo falecimento de Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha Teles, cuja trajetória de militância e resistência se confunde com a história das lutas pela democracia, pelos direitos humanos, pela memória, pela verdade, pela justiça e por reparação no Brasil.
Amelinha Teles foi uma das importantes vozes na denúncia dos crimes da ditadura empresarial-militar e na luta pelo reconhecimento das violações de direitos humanos praticadas pelo Estado brasileiro. Vítima de torturas cometidas pelo então major Carlos Alberto Brilhante Ustra e sua equipe, Amelinha moveu uma ação contra o militar, que foi reconhecido pela Justiça, em 2008, como responsável pelas torturas. A decisão foi confirmada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, em 2012, e pelo Superior Tribunal de Justiça, em 2014.
Sua atuação na defesa da memória das vítimas da repressão também esteve presente nas investigações realizadas após a abertura da Vala de Perus, em 1990, durante a gestão de Luiza Erundina na Prefeitura de São Paulo. Amelinha participou do trabalho de investigação e identificação dos restos mortais de militantes presos, torturados e mortos pela ditadura. Sua militância contribuiu para enfrentar o apagamento dos crimes de Estado e para devolver nome, história e dignidade às vítimas e a seus familiares.

Sua trajetória ocupa também um lugar fundamental na história das lutas das mulheres brasileiras. Ao denunciar a violência política e de gênero e afirmar a centralidade das mulheres na resistência à ditadura, Amelinha contribuiu para tornar visíveis experiências que durante muito tempo foram silenciadas: as de mulheres que enfrentaram perseguição política, prisão, tortura e diferentes formas de violência de Estado. Sua atuação evidenciou que enfrentar a ditadura e seus legados também implica enfrentar as estruturas de opressão que atravessam a vida das mulheres.
Ao longo de sua vida, Amelinha se recusou a aceitar o silêncio como resposta aos crimes da ditadura. Sua luta expressou a compreensão de que não há democracia plena sem o reconhecimento das violências cometidas pelo Estado e sem o enfrentamento de suas permanências no presente.
O legado de Amelinha Teles permanece vivo nas lutas pela democracia, pela memória, pela verdade, pela justiça e por reparação; na defesa dos direitos humanos; e na luta das mulheres contra o patriarcado, o autoritarismo, a exploração e todas as formas de opressão.
O ANDES-SN se solidariza com suas(eus) familiares, companheiras(os) de militância, amigas(os) e com todas(os) que compartilharam de sua caminhada e foram marcados por sua coragem, compromisso e resistência.
Amelinha Teles, presente!
Brasília, 15 de setembro de 2026.