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Seção Sindical dos Docentes da UFV
43º Congresso do ANDES-SN começa com debates sobre a conjuntura e lançamento de materiais

Teve início, nessa segunda-feia (27), o 43º Congresso do ANDES-SN, realizado em Vitória (ES). Maior instância deliberativa da categoria docente, a atividade traz como tema Só o ANDES-SN nos representa: dos locais de trabalho às ruas contra a criminalização das lutas! e reúne mais de 600 professores de todo o país. A ASPUV está presente com os delegados Carolina Gonçalves Santos, Geraldo Adriano Emery Pereira e Renata Rena Rodrigues e o observador Aloizio Soares Ferreira.

Durante a abertura,  houve apresentação de poesia falada. Na sequência, representantes de várias entidades convidadas fizeram saudação aos presentes, reforçando a importância do ANDES-SN para a luta de classe no Brasil, para as diversas frentes em defesa dos direitos sociais e para o combate ao neofascismo.

“Sabemos que é somente por meio da relação unitária dos conjuntos de trabalhadores e trabalhadoras, impulsionando os seus mais radicais anseios, que venceremos, assim como temos imprimido uma série de derrotas, em nosso país e em outros setores, à extrema direita e às expressões de neofascismo. Ainda assim, essa quadra histórica que se abre, e na qual nos colocamos neste Congresso, é marcada por uma série de ataques e violências que, fundamentalmente, se intensificaram com a posse de Donald Trump, nos Estados Unidos, e com a ampliação da ação imperialista em escala planetária. Isso nos impõe, na construção deste Congresso e nas ações que certamente levaremos como tarefa fundamental em nosso espaço deliberativo, a necessidade de refletirmos e fortalecermos essa ferramenta preciosa para o conjunto da classe trabalhadora: o sindicato nacional”, destacou o presidente do ANDES-SN, Gustavo Seferian, na abertura do Congresso.

Lançamentos de publicações e documentário

Durante a plenária de abertura, o ANDES-SN lançou uma série de publicações. Foi apresentada a 75ª edição da revista Universidade e Sociedade, que debate A luta por condições de trabalho e carreira docente na defesa do projeto de universidade e de educação para a sociedade brasileira. Além dos tradicionais textos enviados pelos docentes sindicalizados, este número traz uma novidade: a inauguração da seção internacional da revista, destinada a receber colaborações de outros países. Acesse a revista aqui.

Também foram lançados a cartilha atualizada de combate aos assédios moral e sexual e ao racismo, o Plano Nacional de Comunicação do ANDES-SN e o livro Educação, Pedagogia Histórico-Crítica e BNCC, do professor Demerval Saviani, publicado pela editora Expressão Popular em parceria com o sindicato nacional.

Por fim, foi apresentado o trailer do documentário Povo Negro Fica! A luta por cotas étnico-raciais. O vídeo será lançado após o Congresso e integra a campanha Sou Docente Antirracista.

Análise de conjuntura

Ainda nessa segunda, foi realizada a primeira plenária temática do Congresso, discutindo a conjuntura e o movimento docente. Antes de abrir os debates, os autores dos oito artigos enviados ao Caderno de Textos (documento que guia as discussões durante o Congresso) apresentaram as suas reflexões e contribuições sobre diversos aspectos da conjuntura nacional e internacional. A Diretoria e o Grupo de Trabalho (GT) Carreira da ASPUV são autores de um dos textos intitulado A nossa carreira no contexto da conjuntura atual 2024/2025.

Na conjuntura nacional, as greves da educação, tanto no setor das Federais quanto no das Estaduais, ganharam destaque, em especial com diferentes análises sobre o Termo de Acordo firmado com o governo federal. A necessidade de intensificar a cobrança pelo sue cumprimento integral esteve presente em diversas avaliações.

“Fizemos uma greve histórica em 2024, onde nós mobilizamos grande parte das instituições federais, em um movimento muito forte. Um movimento que colocou em destaque as contradições desse governo que se elegeu como um governo popular, mas se instalou como um governo de amplas relações, de significativamente amplos arranjos. Mas que, de fato, coloca em contradição as suas bandeiras históricas, em especial a bandeira da educação (…). Não podemos ir à luta rebaixando a nossa perspectiva de trabalhadores ou a nossa perspectiva salarial. Se nós não valorizarmos o nosso salário, não será este ou qualquer outro governo que vai valorizar. E é nesse sentido que a nossa análise conjuntura solicita, convoca os companheiros para pensar que, na atual conjuntura, temos que estar mais ousados, não só nos princípios, mas também com a malha salarial”, disse o delegado da ASPUV no Congresso, Geraldo Emery, integrante do GT Carreira e da Diretoria, durante a plenária.

Falas também pontuaram as conquistas das greves, como avanços para docentes do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT), a discussão sobre o reenquadramento de aposentados no âmbito federal, além das recomposições salariais e melhorias nas carreiras . A criminalização das lutas ainda foi lembrada durante o debate.

Na análise internacional, ganharam atenção a posse do presidente estadunidense Donald Trump e as suas primeiras medidas de ataque aos imigrantes, ao meio ambiente, aos negros e à população LGBTQUIAP+. Também foi destaque a atuação estadunidense no genocídio do povo palestino.

“O que agitou a plenária foi um debate profundo sobre a unidade na luta que garantiu greves fortes no setor da educação, não só do Setor das Federais, mas também no Setor das Estaduais, e que essas greves tiveram conquistas importantes. Nós finalizaremos o debate de conjuntura indo para os grupos mistos, levando esses diversos temas, mas, centralmente, organizando a categoria para cobrar do governo federal para que o acordo de greve seja cumprido. A categoria vai responder ao governo federal. E, certamente, isso será um elemento que vai marcar os grupos mistos nos próximos dias”, avaliou Caroline Lima, 1ª secretária do ANDES-SN, que presidiu a plenária.

(Assessoria de Comunicação da ASPUV a partir de textos do ANDES-SN)

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