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Seção Sindical dos Docentes da UFV
2023 já é o ano com mais ataques em escolas brasileiras, diz ONG

O ano de 2023 ainda chega à metade, mas já bate recorde de ataques em escolas no Brasil. Segundo levantamento da ONG Instituto Sou da Paz, já foram sete ocorrências do tipo. Na sequência dos anos com mais registros, aparecem  2022 com seis e 2019 com três.

O estudo Raio-x de 20 anos de ataques a escolas no Brasil aponta que, desde 2002, foram contabilizados 25 episódios que deixaram 139 vítimas com 46 mortes. Os número obtidos demonstram também o caráter ainda mais destrutivo das armas de fogo. Os ataques a tiros geraram três vezes mais vítimas fatais do que as ocorrências com armas cortantes ou perfurantes e representam 76% das mortes, apesar de terem sido usadas em menos da metade dos atentados.

Letalidade dos massacres aumento com flexibilização do uso de armas

O mapeamento revelou que os massacres aumentaram em número e letalidade desde 2019, mesmo ano em que começou a flexibilização do acesso às armas promovido pelo governo de Jair Bolsonaro.  “O estudo mostra que a disponibilidade de armas em residências favorece esse tipo de crime e aumenta a letalidade, colocando em evidência o quão crucial é o controle do acesso e do armazenamento dessas armas para redução da letalidade destes eventos, já que ferimentos com armas brancas e de pressão são menos graves e têm mais chances de defesa, socorro e recuperação da vítima“, diz Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz.

Perfil dos autores e planejamento

O levantamento traz ainda um perfil dos agressores. Todos são meninos ou homens, 57% são alunos e 36% ex-alunos das escolas. Em pelo menos dois casos, o autor estava há meses sem ir às aulas e nenhuma providência de busca ativa foi tomada, o que contribuiu para o isolamento e a radicalização desses estudantes ao ficarem longe do ambiente escolar.

O instituto aponta ainda que, em pelo menos 20 episódios, houve o planejamento do atentado por semanas ou meses. No mais recente, ocorrido em Cambé (PR) e que terminou com dois alunos assassinados, a polícia encontrou com o agressor anotações sobre ataques em escolas, incluindo o de Suzano (SP), em 2019, na Escola Estadual Professor Raul Brasil, que resultou em 10 assassinatos.

Para a ONG, o diagnóstico reforça que há um prazo hábil para que funcionários, professores, estudantes e responsáveis legais consigam notar mudanças comportamentais ou até atos preparatórios e possam, dessa forma, tomar medidas preventivas. Para isso, conforme o levantamento, é necessário estruturar e preparar a comunidade escolar para identificar os sinais antes e agir com eficácia.

Recomendações

O Instituto Sou da Paz traz algumas recomendações para a prevenção de novos casos:

  • Criação de equipes policiais treinadas em monitoramento de redes sociais com capacidade de realização de análise de risco para triagem e atuação preventiva.
  • Fortalecimento da ronda escolar e de vínculos entre a direção da escola e batalhões locais.
  • Treinamento e estabelecimento de protocolo de ação para que policiais militares possam responder a esses eventos de modo a eliminar a ameaça mais rapidamente possível, preparar socorro e evacuação das vítimas.
  • Estabelecimento de programas específicos para a saúde mental dos estudantes e de mediação e justiça restaurativa nas escolas para lidar com conflitos e bullying. Tais ações devem ser conduzidas por profissionais capacitados, sem sobrecarregar professores com novas atribuições.
  • Treinamento de professores e funcionários para que consigam identificar comportamentos que precisam despertar ações da comunidade escolar.
  • Criação de ações para instruir as pessoas a evitarem repassar boatos e mensagens sem procedência identificada, para evitar pânico.
  • Endurecimento do controle e fiscalização da compra de armas de fogo e munições para restringir o acesso a instrumentos mais letais por parte dos agressores.
  • Revisão das facilitações dadas para que adolescentes (a partir de 14 anos) frequentem clubes de tiro, ainda que acompanhados de um responsável.

(Assessoria de Comunicação da ASPUV a partir de texto do ANDES-SN)

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