Deputado de extrema direita invade UFBA, agride e intimida estudantes e servidores
Mais uma universidade pública sofreu ataques de grupos da extrema direita. Na última quinta-feira (20), o deputado estadual baiano Diego Castro (PL) e integrantes de sua equipe perturbaram a rotina acadêmica da Universidade Federal da Bahia (UFBA). De forma truculenta, retiraram cartazes afixados nos corredores e agrediram verbal e fisicamente integrantes da comunidade acadêmica. O ataque ocorreu durante uma atividade de recepção aos calouros nas dependências da Faculdade de Comunicação (Facom).
Segundo informação da reitoria da UFBA, a ação, capturada por câmeras de segurança, gerou confrontos direcionados a estudantes, técnicos administrativos, docentes e profissionais terceirizados responsáveis pela segurança. De acordo com a universidade, no tumulto, o presidente do Centro Acadêmico da FACOM, Tobias Muniz, foi empurrado por um integrante da segurança do parlamentar e ficou ferido. Além dele, o diretor da unidade, o professor Washington Souza Filho, foi desrespeitado e ameaçado enquanto exercia seu dever de zelar pelo funcionamento e pela segurança da faculdade.
A universidade também comunicou que, em resposta à agressão e com acompanhamento da Coordenação de Segurança da UFBA (Coseg), foi registrado um Boletim de Ocorrência e realizado exame de corpo de delito no estudante atingido. Diante da gravidade, a Reitoria informou que está se dirigindo à Superintendência da Polícia Federal visando estabelecer um protocolo de cooperação mais intenso para a adoção de medidas efetivas e preventivas, em particular no atual período eleitoral. A administração central também solicitou o posicionamento urgente da Assembleia Legislativa do Estado da Bahia para que tome as devidas providências diante da conduta indecorosa de seu parlamentar.
ANDES-SN repudia episódio e denúnica padrão de ofensiva da extrema direita
O ANDES-SN manifesta seu mais profundo repúdio ao grave ato de violência, intimidação e desrespeito na UFBA. Para o sinidcato nacional, o episódio representa mais uma inaceitável investida contra a autonomia universitária e a comunidade acadêmica.
O ANDES-SN alerta que o episódio na Bahia ocorre em meio a um contexto nacional de avanço de ações de grupos de extrema direita, que tentam violar o ambiente acadêmico, atacar a educação pública e sufocar a liberdade de organização e manifestação. Recentemente, no dia 10 de agosto, o Campus do Vale da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) sofreu ataque semelhante. Militantes de extrema direita invadiram espaços da universidade, arrancaram cartazes do movimento estudantil, cobriram com tinta branca palavras de ordem contra a ditadura empresarial-militar e contra o feminicídio, tentaram pintar paredes dos centros acadêmicos e intimidaram estudantes.
Para o sinidcato nacional, defender as universidades contra essas ações significa também defender a produção crítica de conhecimento, a diversidade de ideias e a própria democracia.
Confira aqui a nota do ANDES-SN.
Fortalecimento da Campanha “Lutar Não é Crime”
Diante da crescente onda de intolerância e violência, o ANDES-SN reitera a necessidade urgente de mobilização de docentes, estudantes e técnicos administrativos em defesa das instituições públicas de ensino, da autonomia universitária e da liberdade de expressão e de ensino.
Durante o 69º Conad, realizado em julho, a categoria deliberou pela intensificação da campanha Lutar Não é Crime, com foco na defesa das universidades, da liberdade de expressão e de cátedra. A campanha atua diretamente para combater as tentativas de criminalização e silenciamento dos movimentos que resistem nos espaços acadêmicos, reafirmando que a organização sindical e estudantil é um direito constitucional democrático.
O sinidcato nacional manifesta sua total solidariedade à comunidade da UFBA, especialmente ao estudante Tobias Muniz e ao professor Washington Souza Filho. Reitera ainda que as universidades públicas são espaços de diversidade, liberdade e pensamento crítico, e não aceitará que a truculência e o oportunismo intimidem docentes, estudantes, técnicos, técnicas e trabalhadoras e trabalhadores terceirizados de qualquer instituição.
(Assessoria de Comunicação do ANDES-SN com edições da ASPUV)