ASPUV conversa sobre assédio institucional com os docentes de Rio Paranaíba
A ASPUV promoveu uma palestra sobre os assédios institucional e moral com os docentes de Rio Paranaíba, na última terça-feira (5). Na atividade, a presidente Mônica Ribeiro Pirozi e o advogado da seção sindical, Karl Henzel, falaram sobre as características do assédio, de que forma identificá-lo e como ele geralmente se apresenta no ambiente universitário.
As falas destacaram o fato de o assédio não necessariamente ocorrer por meio de atos explicitamente violentos, mas sobretudo sutilmente, o que dificulta a sua identificação. Trata-se de um padrão de comportamentos que se repete ao longo do tempo, o que mina a capacidade do trabalhador, alvo de constrangimentos, humilhação, perda de autonomia e desgastes constantes.
Tipos de assédio
O primeiro assédio caracterizado na palestra foi o moral, o mais recorrente. É um tipo de desgaste contínuo, marcado pela repetição, muitas vezes banalizado, mas que se acumula. Entre os exemplos que podem ser dados, estão a desqualificação sistemática e o isolamento, quando um docente deixar de ser convidado pelos pares para projetos, bancas, entre outros. Há ainda formas mais silenciosas, como o travamento de processos e a ausência de respostas e encaminhamentos.
O segundo foi o institucional, caracterizado por práticas, de alguma maneira, sustentadas ou permitidas pela própria instituição. Uma forma pela qual o assédio institucional se apresenta é o uso de processos administrativos como ferramenta de intimidação. Outra são os critérios de avaliação opacos e instáveis, permitindo leituras convenientes. Essas práticas podem levar à ideia de que questionar traz consequências, sendo, portanto, mais adequado não se expor. Quando isso se consolida, a instituição deixa de ser um espaço de trabalho e passa a funcionar como um mecanismo de controle, o que leva ao assédio organizacional. Esse tipo é marcado por metas desconectadas da realidade, comparações constantes entre colegas, exposição de desempenho e cobrança por produtividade sem considerar o contexto.
Por fim, debateu-se o sexual: conduta de natureza sexual que não é desejada, especialmente quando existe uma relação de poder envolvida. Ocorre, por exemplo, em insinuações recorrentes, comentários sobre aparência, convites insistentes que ultrapassam o limite do profissional. Pode também aparecer de forma mais grave, quando há uma troca implícita ou explícita: apoio acadêmico, oportunidades ou reconhecimento condicionados a uma aproximação pessoal.
Características
Um dos pontos de destaque na palestra, no que se refere à caracterização do assédio, é o fato de que ele não necessariamente ocorre em relações hierarquizadas. Pode acontecer entre pares e a sua reprodução, sem que o praticante perceba. Exemplos são a desqualificação de colegas em espaços coletivos e a inviabilização de contribuições.
Outro destaque da palestra foi para a possibilidade de o assédio vir de estudantes, por exemplo, quando produzem um ambiente de constrangimento reiterado. Isso pode acontecer por meio de interrupções sistemáticas em sala, deslegitimação constante, exposição em redes sociais e pressão organizada sobre avaliação. Nesse sentido, a orientação é não adotar um confronto pessoal com o estudante, mas, sim levar para o plano institucional: registrar, comunicar, dar visibilidade à ocorrência.
Por fim, a conclusão foi de que o assédio acontece quando o ambiente de trabalho deixa de ser um espaço de produção e passa a ser um espaço de sofrimento.
A ASPUV reforça que os sindicalizados que precisem de orientação sobre o assunto procurem a assessoria jurídica pelo telefone (31) 3891-1428 ou pelo e-mail juraspuv@gmail.com.
(Assessoria de Comunicação da ASPUV)