Contra privatização do Rio Tapajós, indígenas mantêm ocupação de porto da Cargill em Santarém (PA)
Representantes de povos indígenas do Baixo Tapajós e de movimentos sociais mantêm a ocupação da área da multinacional Cargill, localizada no porto de Santarém (PA). O movimento, que teve início em 22 de janeiro, denuncia a tentativa de privatização do Rio Tapajós, por meio da contratação de uma empresa para a execução do Plano Anual de Dragagem de Manutenção Aquaviária (PADMA) na Hidrovia do Rio Tapajós, sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
Após muita pressão, o governo federal deu um passo atrás no plano e suspendeu o Pregão Eletrônico nº 90515/2025, que tratava da escolha da empresa. Em nota o Executivo informou que vai instituir um Grupo de Trabalho Interministerial para discutir, sistematizar e orientar os processos de consulta livre, prévia e informada sobre a questão; e apresentar, em diálogo com os povos indígenas, o cronograma dos processos de consulta referente à Concessão da Hidrovia do Tapajós. O colegiado será composto por órgãos e entidades da administração pública federal bem como por representantes indicados pelos povos indígenas da região.
Ocupação continua contar privatização do Rio Tapajós
Apesar dos avanços, a avaliação é de a situação não está resolvida. Por isso, os manifestantes permanecem ocupando a área da Cargill e comunicaram que só encerrarão a mobilização após a publicação, em diário oficial, da revogação do Decreto nº 12.600/2025, que incluiu trechos hidroviários no Rio Tapajós no Programa Nacional de Desestatização (PND) e pretende transformar o rio em um canal industrial para o agronegócio. Segundo o Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita), o grupo também pede a anulação do pregão e a publicação dos atos no Diário Oficial.
No último domingo (8), também foi realizada uma caminhada na orla de Santarém, movimentos sociais e indígenas comprometidos com a defesa da vida e do território. “Seguimos nas ruas e na orla de Santarém porque o rio não é mercadoria, é ser vivo, é ancestralidade, é existência. Contra a dragagem e contra os decretos que ameaçam nossos territórios, seguimos firmes, com coragem e coletividade. Defender o Tapajós é defender a vida”, afirmou o Citas.
No dia seguinte, manifestantes foram à Câmara Municipal de Santarém para protocolar o pedido de impeachment do vereador Malaquias Mottin (PL), que avançou com seu automóvel contra indígenas que estavam na barreira de contenção da ocupação. “Não aceitaremos violência, intimidação ou criminalização da luta indígena. Quem ataca o nosso povo não pode nos representar. Nossa presença é resistência. Nossa luta é pela vida, pelo Rio Tapajós e pelo respeito aos povos indígenas”, completou o Cita.
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– Rádio ASPUV #4/25 | Abril Indígena
(Assessoria de Comunicação do ANDES-SN com edições da ASPUV)