Emendas parlamentares representam fatia cada vez maior do orçamento das universidades federais
Um levantamento da rede Observatório do Conhecimento mostrou que os recursos recebidos via emenda parlamentar bateram recorde nas universidades federais. Em 2025, as 69 instituições obtiveram R$ 571 milhões, o que correspondeu a 7,2% de toda a verba discricionária. Em 2014, esse total era de apenas 0,86%.
Os números evidenciam um resultado direito dos cortes que se acentuaram nos últimos dez anos, política que ocorre paralelamente ao crescimento dos recursos destinados às emendas parlamentares. O Orçamento 2026 é exemplo disso. Durante a tramitação da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, o Congresso retirou novas verbas do Ministério da Educação (MEC). Como resultado, as federais perderam R$ 488 milhões em relação ao valor originalmente proposto pelo Executivo, o que representa uma redução de 7,05%. Por outro lado, as emendas seguem subindo e, mesmo se confirmado o bloqueio de uma parcela pelo governo federal, devem somar R$ 50 bilhões.

“Caso não haja recomposição, o orçamento das Universidades Federais em 2026 ficará nominalmente inferior ao orçamento executado em 2025, desconsiderando os impactos inflacionários e os reajustes obrigatórios de contratos, especialmente aqueles relacionados à mão de obra. O quadro se torna ainda mais preocupante diante de cortes semelhantes ocorridos nos orçamentos da Capes e do CNPq. Estamos, portanto, em um cenário de comprometimento do pleno desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão nas Universidades Federais, de ameaça à sustentabilidade administrativa dessas instituições e à permanência dos estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica. A restrição orçamentária também impõe entraves à continuidade do desenvolvimento científico e, portanto, à soberania nacional”, destacou a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).
Emendas não solucionam o problema
As emendas parlamentares estão longe de solucionar a crise orçamentária das universidades. O montante é insuficiente e não há garantia de continuidades. Além disso, os critérios para destinação são exclusivos dos parlamentares.
“O processo de aumento absoluto de emendas parlamentares no orçamento evidencia duas problemáticas principais: primeiro, o orçamento discricionário direcionado pelo Executivo é aquele que permite maior previsibilidade das instituições, visto que está previsto no Projeto de Lei Orçamentária e segue uma série de prerrogativas fiscais e constitucionais. As emendas, por outro lado, são instrumentos não somente orçamentários, mas, também, políticos. O segundo problema está no direcionamento de recursos de emendas por um/a parlamentar, sendo este processo dependente de fatores como plano político, propostas eleitorais e compatibilidade do projeto. Pelo lado da Universidade, a mobilização por emendas parlamentares depende de, principalmente, articulação política – fatores que ainda estão fora do escopo de atividade de gestão universitária”, destacou o Observatório do Conhecimento.
Outro problema é não há equidade na distribuição dos recursos, o que tende a gerar desigualdades. “Ao observar que as emendas não são distribuídas de forma equitativa entre as subfunções da educação ou entre os estados, as disparidades geram desigualdades entre instituições e impedem que o desenvolvimento de atividades do ensino, pesquisa e extensão sejam feitos de forma equitativa pelo território nacional. Isso, além de acentuar disparidades regionais, também é representativo da perda de autonomia da gestão financeira, que está condicionada ao baixo e insuficiente financiamento apenas de ações cruciais para o funcionamento da instituição. A defesa da educação superior de qualidade e socialmente referenciada também deve considerar a previsibilidade dos repasses dos recursos do orçamento, bem como a recomposição de recursos suficientes”, completou o Observatório do Conhecimento.
O estudo completo sobre as emendas parlamentares nas universidades federais pode ser lido aqui.
(Assessoria de Comunicação da ASPUV com informações do Observatório do Conhecimento)