UFRJ aprova política de cotas para estudantes trans/travestis
O Conselho Universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) aprovou a implementação de cotas para pessoas trans nos cursos de graduação e pós-graduação stricto sensu. A nova política de ação afirmativa reserva 2% das vagas para esse grupo social. Foram 31 votos a favor e uma abstenção durante sessão realizada no último dia 30.
A nova reserva de vagas entrará em vigor no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) deste ano, com ingresso dos primeiros estudantes já em 2026. Os candidatos à graduação deverão ter cursado o ensino médio em escola pública ou comunitária do campo, conveniada com o poder público.
“Para nós, do ANDES-SN, a aprovação das cotas para a população trans/travesti na UFRJ é uma vitória significativa, não só para a educação pública, mas principalmente para a população que mais morre nesse país. O Brasil é campeão em homicídios relacionados à população trans/travesti”, afirmou a diretora do ANDES-SN e coordenação do Grupo de Trabalho de Políticas de Classe Políticas de Classe para as Questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS), Caroline Lima.
“Acho que no momento em que a UFRJ e o seu Conselho Universitário se propõem a ampliar a política de cotas da universidade, também está preparando a comunidade acadêmica para ampliar o debate, para que a gente, nos próximos anos, consiga aumentar, inclusive, esse percentual. Não podemos esquecer da luta que foi para garantir as cotas, nas universidades e concursos públicos, para a população negra, quilombola, indígena. E agora, com essa aprovação do Conselho Universitário, acredito que o movimento trans/travesti e LGBTI+ sai muito fortalecido”, completou Caroline.
Luta pelas cotas trans
Historicamente, o ANDES-SN defende ações afirmativas para pessoas negras, indígenas, quilombolas, com deficiência e trans, reafirmando o seu compromisso com a educação pública enquanto um direito de todos. No 68º Conad, foi aprovada a Moção de Apoio às Ações Afirmativas para Pessoas Trans nas Instituições de Ensino a ser enviada para todas as universidades, institutos federais e cefets. O texto destaca o entendimento de que a presença de pessoas trans enriquece o ambiente educacional, amplia os debates, desafia preconceitos e contribui para a formação de profissionais mais conscientes e engajados com as demandas sociais.
A UFRJ se soma a mais de 20 universidades federais e estaduais do país que já adotam políticas de cotas para pessoas trans/travestis.
(Assessoria de Comunicação do ANDES-SN com edições da ASPUV)