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Seção Sindical dos Docentes da UFV
Após forte mobilização, Unicamp rompe convênio com instituto de Israel

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) anunciou, na última terça-feira (30), a rescisão unilateral do acordo de cooperação acadêmica com o Instituto Tecnológico Technion (Israel Institute of Technology). A instituição é a mais antiga universidade de Israel, ligada à indústria bélica do país e ao governo responsável pelo genocídio do povo palestino na Faixa de Gaza. O anúncio foi feito durante reunião do Conselho Universitário (Consu).

A decisão é resultado direto da intensa mobilização da comunidade universitária, articulada pela Associação dos Docentes da Unicamp (Adunicamp – Seção Sindical do ANDES-SN), pelo Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU), Diretório Central dos Estudantes (DCE) e Comitê Unicamp de Solidariedade ao Povo Palestino. As entidades vinham reivindicando o rompimento de relações institucionais com universidades e centros de pesquisa coniventes com a política de apartheid e genocídio promovida por Israel.

Poucos dias antes, em assembleia, os docentes já haviam aprovado um moção que exigia o fim do convênio entre a Unicamp e o Technion.

Decisão histórica

Durante a reunião do Consu, estudantes permaneceram acampados nas imediações da Reitoria, aguardando a votação de uma moção que defendia o rompimento do acordo. O texto chegou a ser lido, mas não foi colocado em votação. Também na reunião, o Comitê Unicamp de Solidariedade ao Povo Palestino apresentou outra moção de teor semelhante, pedindo a suspensão imediata do convênio. Foi então que o reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner, anunciou a decisão de romper o convênio, ao ler um despacho no qual ressaltou a gravidade da situação em Gaza e reafirmou os princípios que orientam a universidade.

“A Unicamp vem acompanhando com atenção e preocupação o cenário internacional com relação à escalada das ações do atual governo israelense contra o povo palestino na Faixa de Gaza. A situação se deteriorou de tal forma que as violações aos direitos humanos e à dignidade da população palestina se transformaram em uma constante inaceitável”, diz o documento.

Em setembro de 2024, o Consu já havia aprovado uma moção apresentada pelo Comitê Unicamp de Solidariedade ao Povo Palestino, reforçando a exigência de um cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza. 

ANDES-SN em defesa do povo palestino!

O ANDES-SN tem uma longa história de apoio à luta palestina, iniciada em 2003, com ações de solidariedade e boicote ao Estado de Israel. Em 2018, aderiu à campanha de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS). No 42º Congresso, realizado em 2024, aprovou a moção Não é guerra, é genocídio! e no 67º Conad deliberou por lutar pelo rompimento das relações diplomáticas entre Brasil e Israel. Já neste ano, no 43º Congresso e no 68º Conad, a categoria docente reafirmou a solidariedade ao povo palestino, o compromisso com a autodeterminação palestina e a denúncia das violações cometidas contra esse povo. Recentemente, em agosto, a diretoria do ANDES-SN esteve na Embaixada da Palestina para reafirmar o compromisso de solidariedade com o povo palestino e se apresentar formalmente ao embaixador Ibrahim Alzeben

No ano passado, a ASPUV realizou, em Viçosa, o lançamento do livro Contra o Sionismo: Retrato de uma Doutrina Colonial e Racista escrito pelo jornalista Breno Altman, que é judeu. Na ocasião, Altman concedeu uma entrevista falando sobre a centralidade da luta em defesa do povo palestino, que pode ser assistida no link a seguir:

Confira também:

– “A questão palestina é a régua moral dos nossos tempos”, diz jornalista Breno Altman em Viçosa

– Rádio ASPUV #5/25 | Internacionalismo e Solidariedade

(Assessoria de Comunicação do ANDES-SN com edições da ASPUV)

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