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Seção Sindical dos Docentes da UFV
Exposição sobre o genocídio em Gaza é depredada na Ufes

A exposição Traduzindo o Genocídio: o projeto Gaza, em cartaz na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), foi alvo de depredação no dia 27 de agosto, o que provocou repúdio da comunidade acadêmica e de entidades sindicais.

As instalações, montadas no Centro de Ciências Humanas e Naturais (CCHN), reuniam bandeiras da Palestina, varais com imagens e textos sobre a violência contra crianças e jornalistas, cartazes com dados estatísticos e históricos, poemas, obras de artistas palestinos e um pequeno caixão de papelão para simbolizar a morte de crianças. A exposição é resultado de uma pesquisa de estudantes de Letras-Inglês e abordava o massacre em Gaza.

Apenas dois dias úteis após a conclusão da montagem, parte do material foi danificada e desapareceu. Em um dos locais da exposição, uma camiseta com a inscrição “REFA” e a imagem de mãos em oração foram penduradas no lugar do varal depredado. Em contexto religioso, a palavra significa “cura pela fé” ou “oração pela cura”.

Diante do ataque, a professora organizadora da exposição, Junia Zaidan, enviou um comunicado à universidade em que denunciou o ocorrido e expressou a sua indignação. Zaidan classificou o ato como uma “violência física e simbólica” contra a autonomia didático-científica da instituição. Para a docente e estudantes, o incidente é uma tentativa de intimidar e silenciar o apoio ao povo palestino e as críticas às ações de Israel.

“Estamos absolutamente perplexos e indignados com o ato de violência física e simbólica contra nossa autonomia didático-científica, de modo que repudiamos com veemência os ataques destinados a intimidar, invisibilizar e calar quaisquer pessoas que marquem posição de apoio ao povo palestino e crítica às ações genocidas do estado de Israel na Faixa de Gaza sobretudo, mas não somente, desde outubro de 2023”, escreveu a professora no e-mail enviado ao Departamento de Línguas e Letras (DLL).

ANDES-SN repudia depredação

Em nota, o ANDES-SN manifestou solidariedade à professora e destacou o contexto de “horror e de desumanização intensificada do povo palestino”. O texto mencionou que “o Estado colonial de Israel, com suporte político e militar do imperialismo estadunidense, realiza uma limpeza étnica na Palestina, o que tem sido denunciado por inúmeras entidades”. O sindicato citou dados alarmantes. São mais de 60 mil palestinos mortos e 50 mil crianças mortas ou feridas, além de 246 jornalistas que também perderam a vida, número superior ao de qualquer outra guerra.

“A tentativa de setores conservadores e reacionários no Brasil – aliados do sionismo mundial – de atacar o caráter plural e democrático de nossas IES deve ser veementemente combatida, para não corrermos o risco de sermos derrotadas(os) diante do projeto de fascistização da vida social”, afirmou o ANDES-SN.

O Departamento de Línguas e Letras (DLL) da Ufes também repudiou os ataques e manifestou o apoio à professora e aos estudantes. “Assim como o povo palestino é silenciado e vilipendiado em sua própria terra, também aqui foi silenciada a discussão crítica sobre a Palestina; assim como hospitais, escolas e espaços civis são atacados em Gaza, também a universidade pública e os saberes científicos foram atingidos neste ato de intolerância”, afirmou o DLL, que se comprometeu com a reinstalação da exposição e a garantia do espaço de fala para a organização e estudantes.

O Centro de Ciências Humanas e Naturais (CCHN) da universidade engrossou as críticas ao ato de vandalismo. “O CCHN repudia qualquer ação que objetive coibir e silenciar a diversidade de pensamento e o dissenso”, afirmou a nota, acrescentando que “ataques como este colocam em risco a autonomia didático-científica dos/das docentes e não contribuem para a formação crítica de nossos estudantes, além de afrontarem a própria Universidade e seus valores democráticos, de liberdade de pensamento e expressão”, disse.

“Refaremos os projetos, reinstalaremos as exposições quantas vezes forem necessárias até que cesse o martírio de um povo vitimado pela ação de alguns ou inação/conivência de tantos”, finalizou a professora Junia Zaidan.

ANDES-SN em defesa do povo palestino!

O ANDES-SN tem uma longa história de apoio à luta palestina, iniciada em 2003, com ações de solidariedade e boicote ao Estado de Israel. Em 2018, aderiu à campanha de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS). No 42º Congresso, realizado em 2024, aprovou a moção Não é guerra, é genocídio! e no 67º Conad deliberou por lutar pelo rompimento das relações diplomáticas entre Brasil e Israel. Já neste ano, no 43º Congresso e no 68º Conad, a categoria docente reafirmou a solidariedade ao povo palestino, o compromisso com a autodeterminação palestina e a denúncia das violações cometidas contra esse povo. Recentemente, em agosto, a diretoria do ANDES-SN esteve na Embaixada da Palestina para reafirmar o compromisso de solidariedade com o povo palestino e se apresentar formalmente ao embaixador Ibrahim Alzeben

No ano passado, a ASPUV realizou, em Viçosa, o lançamento do livro Contra o Sionismo: Retrato de uma Doutrina Colonial e Racista escrito pelo jornalista Breno Altman, que é judeu. Na ocasião, Altman concedeu uma entrevista falando sobre a centralidade da luta em defesa do povo palestino, que pode ser assistida no link a seguir:

Confira também:

– “A questão palestina é a régua moral dos nossos tempos”, diz jornalista Breno Altman em Viçosa

– Rádio ASPUV #5/25 | Internacionalismo e Solidariedade

(Assessoria de Comunicação do ANDES-SN com edições e acréscimo de informações da ASPUV)

 

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