Aspuv

Seção Sindical dos Docentes da UFV
ANDES-SN denuncia racismo institucional em ameaça de exoneração de professora da UFBA

O ANDES-SN manifestou solidariedade à professora da Escola de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal da Bahia (EMEVZ/UFBA), Nathália dos Santos Wicpolt, ameaçada de exoneração após ser reprovada na terceira fase de avaliação – subjetiva e pouco transparente – do seu estágio probatório. Nas avaliações anteriores, de 6 e 18 meses, Nathália teve “ótimo desempenho”, conforme registrado pela banca.

Para o sindicato nacional, o caso não é isolado e reflete o racismo institucional que insiste em barrar a entrada e a permanência de docentes negros nas instituições federais. Segundo o ANDES-SN, a reprovação ocorre em um contexto problemático, foi feita por critérios subjetivos e, ao que tudo indica, trata-se de processo de perseguição, já que a docente cumpriu todos os critérios objetivos de avaliação e realizou as atividades esperadas de ensino, pesquisa e extensão, mesmo tendo assumido a vaga quando estava grávida e ainda residia em Recife (PE). “De fato, a pontuação obtida pela professora no período foi mais do que o dobro do mínimo necessário para ser aprovada e obter progressão, mesmo tendo cumprido todas as suas atividades sendo gestante e lactante”, destacou o sindicato, que também informou que a sua Comissão de Enfrentamento à Criminalização e Perseguição Política acompanhará o caso.

Professora denuncia perseguição

“Tudo começa lá atrás, quando minha nomeação e minha posse foram requeridas em juízo e se estendem até os dias atuais, quando eu fui reprovada na terceira fase do estágio probatório, por um processo marcado por inúmeras irregularidades, mesmo tendo obtido aprovação nos dois primeiros relatórios, de seis e 18 meses, com louvor (…). Cumpri todos os requisitos, não tenho nada na minha ficha funcional, nenhum processo administrativo, nenhuma advertência, procurei sempre trabalhar em cima dos três pilares da universidade: ensino, pesquisa e extensão. Além disso, cumpri com as minhas cargas horárias de sala de aula, orientei TCC, monitoria, projeto de extensão, projeto de pesquisa, publiquei artigos científicos, sendo cinco em revistas de alto fator de impacto, e, mesmo assim, eu fui reprovada na terceira fase de estágio probatório”, destacou a professora.

Nathália foi a única candidata negra em seu concurso e não tinha vínculo acadêmico prévio com a UFBA. A reserva de vagas para pessoas negras é assegurada por lei. Primeiro, foi garantida pela Lei nº 12.990/2014 (20% das vagas em concursos públicos federais para negros), sendo recentemente substituída pela Lei nº 15.142 /2025  (30%, incluindo também indígenas e quilombolas).

Leia a nota do ANDES-SN na íntegra aqui. 

Assine aqui o manifesto nacional em solidariedade à professora Nathália

 

(Assessoria de Comunicação do ANDES-SN com edições da ASPUV)

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos necessários são marcados com *.